quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sur Moi

Tarefa difícil iniciar uma postagem num blog/diário/confessionário/amigo secreto. Sem ter muito sobre o que falar, de forma aleatória talvez o mais interessante seja a espontaneidade. Confesso que estou há tempos sem escrever nada. Nada mesmo, nem livros, nem poemas, nem blogs. No máximo números e pequenas anotações.
Nesse momento aqui, ouvindo Ben Mazué, tentando aprender a letra em francês em alguns minutos (e com sucesso) e mandando algumas notas cantando para os amigos pelo Whatsapp, lembro que era pra ter começado esse blog há mais tempo, talvez semana passada numa viagem. Viagens sempre são interessantes para se fazer planos, sonhos, iniciar as coisas. Uma empolgação transcendental que surge do Universo e me faz achar que posso voar. De fato, posso. A única coisa mais chata em viagens longas, especialmente (especialmente) as que envolvem aviões, no meu caso, é o avião. Algo desesperador entrar num tubo pressurizado que vai voar loucamente por aí, há mais de 10km de altura, em média a 70% da velocidade do som. Animador. Mais ainda a cara de paisagem das técnicas em segurança do voo (aeromoças ou comissárias). Aquela cara para fazer você sentir que está confortavelmente num ambiente extremamente seguro, mas que não passam de caras assustadoras de pessoas sádicas que te recebem com honrarias e boas viagens para o seu potencial atestado de morte. É incrível como todos os trabalhadores da companhia aérea que se vai viajar, parecem vilões numa conspiração para fazer o seu avião (exclusivamente) sofrer o acidente. Lembrando que esse é meu ponto de vista (e talvez o de outras 50 pessoas que possam vir a ler isso um dia).



 Do assistente que recebe seu bilhete na entrada do finger, até o mecânico que ''verifica'' o ''bom funcionamento'' das peças antes de cada decolagem. Todos vilões, todos conspiracionistas, que por trás daquele sorriso falso escondem a vontade de te ver em desespero. Desculpe o exagero. Precisei por pra fora. E realmente to me perguntando qual o motivo de esse texto ter tomado esse rumo. Enfim.

Minha companhia pessoal, a gripe, me dá de presente nariz escorrendo, falta de ar, dor de cabeça, tudo que uma boa doença pode oferecer. E talvez inspiração e coragem pra começar a escrever aqui.
Hoje o dia foi um pouco cansativo, dediquei quase todas as horas da tarde para processar uma imagem gigantesca de satélite (sim, trabalho com isso) e que no final ocupou quase 6GB de espaço em disco, realmente muito grande. No final, meus olhos estavam vermelhos, porém o resultado ficou satisfatório. Gosto do que faço, não 100%, mas gosto. No fundo acho que absolutamente ninguém na face da Terra goste 100% do que faz, seja trabalhando ou exercendo outras atividades. Talvez seja só mais uma prova da nossa inconstância. Não somos absolutos, e talvez nunca seremos. Às vezes acho que o que falta nesses 100% para mim, seria está levando pessoas de outros países para conhecer um pouco do lugar onde eu vivo, fazendo trilhas, levando-os para conhecer cachoeiras e florestas. Tirando fotos. Talvez ninguém nasceu para ser uma coisa só. Todos nascemos para fazer um pouco de cada coisa que gostamos, mas por força desse sistema no qual nascemos, precisamos nos obrigar a ter uma única função. Imagino o quanto as pessoas seriam mais felizes se fizessem o que realmente gostam. Uma vez ouvi que a infelicidade é viciante, e talvez essa máxima seja um motivo importante por fazermos o que não gostamos.

 Nesse momento da minha vida, que por sinal está muito bom, tanto na faculdade quanto no trabalho. É difícil eu ter noção do quanto ter uma pessoa (que não seja da família ou amigos) pra conversar, dizer o que sente, elogiar, criticar, receber elogio, é bom. Em caráter de relato, jamais de desabafo ou drama, digo que não tenho muito essa noção e nem tive na vida. Uma única vez alguém chegou e me disse que gostava de mim de forma diferente. E essa vez não existiu, jamais. Só num instante, e se esvaiu como as nuvens num dia de vento. Seria bom, de tempos em tempos, passarmos por uma penseira e limpar seletivamente pensamentos e memórias indesejáveis, que foram bons no seu tempo, porém agora, indesejáveis.



A fotografia para mim é uma paixão. Será corriqueiro nesse blog fotografias minhas (ou não) entre as linhas. Acho que isso dá mais alma para as palavras. Não que um texto sem imagens seja ''desalmado'', mas num blog/diário... acho que fica bom. Devo me lembrar que não escrevo para ninguém além de mim. Talvez de forma indireta tenha posto isso aqui na internet para que outras pessoas saibam da subjetividade de um ser entre os bilhões que ocupam essa Terra, e talvez possam se identificar, criticar, comparar ou sei lá, nada. Só leiam e saiam. Nada além da heterogeneidade da nossa existência, passar nos lugares, cada um com seu nível de detalhes e significados, e apenas não parar. Às vezes o mundo é tão cheio que se torna enlouquecedor. Um defeito meu é querer abstrair a existência num instante. Quando passo de ônibus nos mais diferentes lugares da minha cidade, nas milhares de pessoas que passam na janela, nos milhares de lugares que passam do meu lado todo dia, quero no fundo saber quem são aquelas pessoas, para onde vão, quem construiu aqueles lugares, quem já viveu ali, todas as coisas possíveis sobre tudo. É tudo tão amplo, tão complexo. Sei que jamais durante toda minha vida terei essa compreensão, o que dá certa frustração. Frustração boba e vã de um desejo impossível. 

E de desejos impossíveis sou rodeado. O que não vale ser discutido agora que já me prolonguei demais para um primeiro post. Já é perceptível que assuntos e devaneios não serão escassos. Monótonos como um pensamento qualquer. Interessantes para mim. Enfim, fim.

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