quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sobre o silêncio, sobre corações partidos e sobre raiva, mas não sobre tudo isso necessariamente

Não ia escrever, mas resolvi voltar. Coloquei uma música deprê do Ben Howard e resolvi voltar, porque as ideias também vieram, mais pra desafogar a cabeça.
Essa semana parei para olhar o céu como sempre faço, e nessa noite tava um silêncio absoluto, nem mesmo aquele comum barulhinho que vem de longe... Tava um silêncio tamanho, reflexivo, deprimente e revigorante. Dava vontade de mergulhar naquele silêncio e voar pra longe. Quando tá muito silêncio, e eu to olhando pro céu, até meus pensamentos ficam silenciados. Por isso um dia quero ter uma casa com teto de vidro, pra poder dormir em paz, já que um teto comum me faz ver só o que ele permite, dando margem pra mergulhar em canais bagunçados da mente. O céu é tão magnífico, mesmo não existindo de fato, olhar para aquela massa de gases que flutuam em torno da Terra, e que são transparente o suficiente pra ver o Universo, pra ver onde nós flutuamos e flutuaremos até morrer. Olhar para cada ponto daquele, saber que é um sol maior ou menor do que o nosso, e que aquela luz saiu deles há muito tempo, quando nem mesmo existia gente na Terra, é coisa demais pra eu conseguir absorver. Até hoje nunca consegui absorver tudo isso, por isso fico fascinado toda vez. Já tive poucas oportunidades de olhar o céu sem interferência de luzes da cidade. Nossa. Sem palavras para o que é aquilo, aquele complexo de luzes e formas, dá pra ver o braço da nossa galáxia... Imagino o que as pessoas na antiguidade, antes das luzes elétricas, pensavam quando olhavam aquilo. Só isso já justifica muita coisa sobre o sobrenatural, porque algo tão magnífico só poderia ter uma explicação simplificada no sobrenatural. É fácil ser ateu sem olhar o céu hahaha Ou é fácil ser ateu ao olhar o céu, é um paradoxo subjetivo. Na verdade ultimamente estou assim, com paradoxos subjetivos, paradoxos sentimentais de sentir raiva e alegria, liberdade e encarceramento, tudo ao mesmo tempo... Sentimentos que talvez não tenham nem nome na língua portuguesa, mas que existem diariamente... Ah, ser humano, ser humano que sou, que somos.
O meu coração partido pela paixonite não correspondida ainda me afeta, é complicado passar por essa fase que os psicólogos chamam de ''luto sentimental'' ou algo assim. Às vezes tem mesmo uma dorzinha física, um desespero, uma vontade de gritar, de bater, mas aí passa e só vem uma tristeza chata e a sensação ingênua de que se vai passar a vida toda sentido aquilo. Eu sei de tudo isso, já passei antes, e to passando de novo, e sei que vai acabar, mesmo assim a gente se alimenta achando que vai ser eterno, mas uma hora acaba. Mais paradoxos.
Eu fico chateado em gerar expectativas com quem me rodeia, e de como eu sou idiota. Não tem uma palavra que defina mais bem. Não sei como aprendi ela, nem qual o significado real, mas na minha mente ela expressa perfeitamente bem o que estou achando.
Pronto, acho que desabafei 10% da minha raiva, ou mais, sei lá. Mas é bom escrever em algum lugar, pra eu mesmo ler, e pra ficar registrado que um dia eu senti isso.
Hoje as coisas deram um pouco errado no meu dia, não consegui fazer com êxito o que tentei, mas não me afeto, depois faço melhor e vai sair bom.
Meus fluxos de pensamento tem andado tão agitados, tão contínuos como nunca antes, ou só agora tenho percebido isso direito. Tenho medo de ficar louco, mas aí lembro que os loucos não sabem que são. Ou sabem. Sei lá, nunca li nada a respeito.
Acho que por hoje já escrevi o que precisava, preciso urgente ir pra algum lugar longe, ver um cenário novo, ou rever, respirar um ar distante, pegar estrada. Não férias, só fuga. Fugir das âncoras desses pensamentos daqui, das ruas de lembranças, prédios, hotel, shopping, lembranças e cenas que só me fazem ir mais fundo com essa âncora amarrada em mim. Preciso cortar essa corrente e nadar para a superfície da decência o mais rápido possível pra não me alimentar mais ainda de tristeza por coração partido, principalmente quando sua paixonite provavelmente já foi chupada por outras laranjas. Eu tive 20 anos há 3 anos e fui diferente do que os que tem 20 são hoje. As pessoas tem medo de crescer, de aprender, de vivenciar e não só viver, sobreviver. O diário é meu e eu escrevo pra mim mesmo, então isso não é lição de moral, são só meus fluxos.
As pessoas são inseguras, ingênuas, indiferentes, por isso o mundo é desse jeito. Esse papo de acreditar na humanidade é só enganação. Humanimais, nada mais. Que nem sabem pra que existem. Nem eu.

sábado, 2 de maio de 2015

Peças de reposição, é, coração



As músicas do Ben Howard tem a incrível força de me inspirar a pensar mais profundamente sobre as coisas e me fazer escrever sobre a maioria das coisas que penso. Hoje sem vinho, nem álcool, só um refrigerante meio ruim que vende aqui em Manaus. Esses últimos tempos tenho sentido a necessidade de escrever mais aqui no meu diário/blog/sei lá o que. Talvez por eu mais uma vez ter levado um pé na bunda, por ter confiado demais. Na verdade paixonite só criada na minha cabeça. E quem se ferrou emocionalmente, eu. Afinal, o que são sentimentos? Existem de verdade? Não terão utilidade alguma - desculpa o pensamento sobre só atribuir importancia às coisas que tem utilidade pro mundo - mas o que eu sentir agora vai realmente ter importancia daqui 2 mil anos? Ou alguém nesse mundo sabe como uma pessoa que viveu há 2 mil anos se sentiu e se importa com isso?
Estava vendo o Facebook (que agora desativei de novo) de uma colega de trabalho. Quando bati os olhos nela percebi que é lésbica. Faz alguns meses que trabalhamos juntos, porém ela nunca deu nenhum indicativo de nada e nem me importo isso, afinal é a vida pessoal dela. Mas como bom stalker que sou, fucei o facebook até achar a tal pessoa com quem ela vivia, segundo um relato que ela mesmo contou uma vez. Acabei descobrindo o nome, cidade natal, e provavelmente o tempo que estão juntas. Ah, as redes sociais. Esse foi um dos motivos pelo qual eu resolvi cancelar de novo o Facebook, e agora o Instagram. Só não cancelo o G+ porque minha relação com essa rede é bem diferente do que foi com as outras, nas quais eu me expus demais. Ninguém mais hoje em dia, nas redes sociais virtuais, tem mais intimidade. Fica tudo muito aberto, indiscreto, nosso lado ''eu'' se perde em meio aos likes. Não quero isso pra minha vida.
A noite está bem estranha, não se decide se fica abafada ou fresca, mas nem estou com ar condicionado - o que para os padrões daqui significa um dia frio. Lá fora as nuvens passam baixas, alaranjadas pelas luzes. Sem aviões, sem latidos, sem motos, sem gente. Tudo um silêncio, um desespero, uma falta. Eu também hoje estou meio assim, uma mistura, não sei se choro, se rio, se danço, se leio, se vejo TV, se existo. As coisas estão meio sem sentido. Mas preciso aprender a não atribuir o sentido das coisas apenas por quem eu me apaixono, como se eu dependesse de outro sempre.
Na verdade nem estava com muita vontade de escrever hoje, mas resolvi, pra ver se consigo pelo menos dormir em paz. Ultimamente tenho ficado sem sono de madrugada, dormido lá pelas 5 quando os barulhos começam aqui em casa e lá fora. Aí acordo quase na hora de ir pro estágio, e fico o dia apático.
Estou pensando em ir pra Roraima mês que vem, dar uma volta. Eu gosto de lá, as paisagens, o relevo, a cidade pacata. Tenho tios que moram lá, então poderia economizar num hotel, e apenas ficar passeando, O maior problema é ir sozinho pra lugares assim, já que não se pode confiar muito nas pessoas estranhas em lugares muito isolados, não faria sentido eu me meter sozinho pra serra do Tepequém, de ônibus. Mas se for mesmo, combino com algum parente de lá. Estou precisando viajar, nem que seja pra algum interior. Uma coisa que tem acontecido comigo é que as viagens se tornam divisores de águas de momentos na minha vida, sempre que acontece alguma coisa não muito legal, e quando vem uma viagem, eu volto reciclado e superado. Não que eu tenha viajado muito até hoje, mas das que eu fiz, quase coincidiram com paixonites terminadas, declarações familiares, etc, e as viagens ajudam a superar isso, as experiências e principalmente os cenários e janelas que eu vejo, faz tudo ficar limpo na mente.
Estou pensando em fazer um livro chamado pancromático e tratar de algumas questões que me fazem refletir, mas isso vou escrever depois, já que só eu mesmo leio isso aqui.
Só mais uma... a minha música preferida, a letra é tão bonita, e o som também:



Mais uma vez, melhor terminar sem um fim. Acho que amanhã, ou depois, ou mês que vem eu escrevo.