Não ia escrever, mas resolvi voltar. Coloquei uma música deprê do Ben Howard e resolvi voltar, porque as ideias também vieram, mais pra desafogar a cabeça.
Essa semana parei para olhar o céu como sempre faço, e nessa noite tava um silêncio absoluto, nem mesmo aquele comum barulhinho que vem de longe... Tava um silêncio tamanho, reflexivo, deprimente e revigorante. Dava vontade de mergulhar naquele silêncio e voar pra longe. Quando tá muito silêncio, e eu to olhando pro céu, até meus pensamentos ficam silenciados. Por isso um dia quero ter uma casa com teto de vidro, pra poder dormir em paz, já que um teto comum me faz ver só o que ele permite, dando margem pra mergulhar em canais bagunçados da mente. O céu é tão magnífico, mesmo não existindo de fato, olhar para aquela massa de gases que flutuam em torno da Terra, e que são transparente o suficiente pra ver o Universo, pra ver onde nós flutuamos e flutuaremos até morrer. Olhar para cada ponto daquele, saber que é um sol maior ou menor do que o nosso, e que aquela luz saiu deles há muito tempo, quando nem mesmo existia gente na Terra, é coisa demais pra eu conseguir absorver. Até hoje nunca consegui absorver tudo isso, por isso fico fascinado toda vez. Já tive poucas oportunidades de olhar o céu sem interferência de luzes da cidade. Nossa. Sem palavras para o que é aquilo, aquele complexo de luzes e formas, dá pra ver o braço da nossa galáxia... Imagino o que as pessoas na antiguidade, antes das luzes elétricas, pensavam quando olhavam aquilo. Só isso já justifica muita coisa sobre o sobrenatural, porque algo tão magnífico só poderia ter uma explicação simplificada no sobrenatural. É fácil ser ateu sem olhar o céu hahaha Ou é fácil ser ateu ao olhar o céu, é um paradoxo subjetivo. Na verdade ultimamente estou assim, com paradoxos subjetivos, paradoxos sentimentais de sentir raiva e alegria, liberdade e encarceramento, tudo ao mesmo tempo... Sentimentos que talvez não tenham nem nome na língua portuguesa, mas que existem diariamente... Ah, ser humano, ser humano que sou, que somos.
O meu coração partido pela paixonite não correspondida ainda me afeta, é complicado passar por essa fase que os psicólogos chamam de ''luto sentimental'' ou algo assim. Às vezes tem mesmo uma dorzinha física, um desespero, uma vontade de gritar, de bater, mas aí passa e só vem uma tristeza chata e a sensação ingênua de que se vai passar a vida toda sentido aquilo. Eu sei de tudo isso, já passei antes, e to passando de novo, e sei que vai acabar, mesmo assim a gente se alimenta achando que vai ser eterno, mas uma hora acaba. Mais paradoxos.
Eu fico chateado em gerar expectativas com quem me rodeia, e de como eu sou idiota. Não tem uma palavra que defina mais bem. Não sei como aprendi ela, nem qual o significado real, mas na minha mente ela expressa perfeitamente bem o que estou achando.
Pronto, acho que desabafei 10% da minha raiva, ou mais, sei lá. Mas é bom escrever em algum lugar, pra eu mesmo ler, e pra ficar registrado que um dia eu senti isso.
Hoje as coisas deram um pouco errado no meu dia, não consegui fazer com êxito o que tentei, mas não me afeto, depois faço melhor e vai sair bom.
Meus fluxos de pensamento tem andado tão agitados, tão contínuos como nunca antes, ou só agora tenho percebido isso direito. Tenho medo de ficar louco, mas aí lembro que os loucos não sabem que são. Ou sabem. Sei lá, nunca li nada a respeito.
Acho que por hoje já escrevi o que precisava, preciso urgente ir pra algum lugar longe, ver um cenário novo, ou rever, respirar um ar distante, pegar estrada. Não férias, só fuga. Fugir das âncoras desses pensamentos daqui, das ruas de lembranças, prédios, hotel, shopping, lembranças e cenas que só me fazem ir mais fundo com essa âncora amarrada em mim. Preciso cortar essa corrente e nadar para a superfície da decência o mais rápido possível pra não me alimentar mais ainda de tristeza por coração partido, principalmente quando sua paixonite provavelmente já foi chupada por outras laranjas. Eu tive 20 anos há 3 anos e fui diferente do que os que tem 20 são hoje. As pessoas tem medo de crescer, de aprender, de vivenciar e não só viver, sobreviver. O diário é meu e eu escrevo pra mim mesmo, então isso não é lição de moral, são só meus fluxos.
As pessoas são inseguras, ingênuas, indiferentes, por isso o mundo é desse jeito. Esse papo de acreditar na humanidade é só enganação. Humanimais, nada mais. Que nem sabem pra que existem. Nem eu.