sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Re-Volta.

De volta. Depois de meses. Não sei quanto. Gripado, deitado na rede, ouvindo Tan Biónica, uma banda argentina muito boa de ElectroPop. Acho que vou começar a escrever novamente no Pancromático, pra apaziguar minha necessidade de conversar com as pessoas de forma tão intensa que ninguém presta atenção. Não é vitimismo, é só uma forma de escape do que quero dizer, dos livros que leio, das músicas que ouço e do que penso. Ah... O que penso, muito em desacordo com o que a maioria esmagadora das pessoas pensam ao meu redor. Política, Sexo, Sexualidade, Gênero, Religião e essas coisas todas muito polêmicas que estão em pauta ultimamente.
Acabei de tomar uma cuia de tacacá com uns camarões um pouco salgados além da conta. Enfim, estava bom. Há tempos não tomava tacacá.
Uma hora dessas estou gostando (não sei se tão de verdade o quanto penso) de alguém que está longe. Na verdade inacessível, porque longe é relativo. Ele está em outra cidade, nos conhecemos em uma viagem que fiz para lá no mês passado. Ficamos juntos durante todos os dias. Perdi minha virgindade com ele, sem penetração, mas perdi. Foi tudo tão intenso, tão bom, tão incrível, nos beijámos nas cachoeiras, nas trilhas, na estrada, no quarto, ficávamos abraçados e era tão bom sentir alguém, o calor de alguém, o cheiro de alguém, a barba dele no meu pescoço, a forma como ele, sendo maior do que eu, me abraçava e parecia que ia me proteger eternamente. Mas tudo passou, agora faz parte das nossas lembranças. Ficaram os votos de retorno e continuidade ao que já começamos, ainda trocamos mensagens e ligações.
Tudo isso fez eu repensar algumas coisas sobre a vida, e perceber o quão rápidas as coisas são e o quanto parece que elas se perdem entre os dedos quando achamos que vamos conseguir palpá-las. Tudo se esvai numa facilidade incrível. A não ser, é claro, os casamentos que já duram há décadas. De qualquer forma, um dia vamos acordar e estaremos velhos e tudo vai ser lembrança como o que comemos hoje no almoço. Não sei como estarei, espero está forte o suficiente pra entender e aceitar essa realidade. Ainda não vivi nem três décadas, mesmo assim fico muito preocupado com a velhice. Parece algo tão iminente.
Me pego chorando pela finitude, e o quanto não somos educados para aceita-la. Vivemos como se fôssemos eternos e tudo o mais. Até a ficha cair, ou as fichas caírem aos poucos e você perceber que não vai ver os netos dos seus netos - se quiser tê-los, claro.
Não tive lá muitas experiências até hoje. Experiências sexuais, de relacionamento ou mesmo de beijos. Só beijei 3 pessoas na vida e todas foram num intervalo de 2 anos entre si. E apenas com a última foi que parti para os finais... Enfim, minha vida sexual não vem ao caso e nem deve ser o tema central do meu blábláblá comigo mesmo. Não sei se escrevo pra mim mesmo ou pra outros.
O fato de não ter tido as experiências agora pouco mencionadas me fez e me faz um pouco diferente de outras pessoas que aos 13 anos já faziam coisas que eu nem imagino fazer até a velhice. Presto mais atenção nas características das pessoas, percebo-as. Nunca vou descobrir a personalidade de alguém apenas olhando pra essa alguém, mas o olhar de qualquer ser humano já diz muita coisa sobre essa pessoa. Aquela velha máxima de que os olhos são a janela da alma é pra mim comprovada - não cientificamente. Não sei porque ao certo adquiri essa característica, talvez eu seleciono(ei) muito as pessoas antes de ter qualquer contato. Ou seja só loucura.
O fato de nunca ter transado também me moldou como um ser humano ansioso. Ao ponto de até para atravessar uma rua, ter os níveis de adrenalina lá em cima.
Estou sentindo que quero escrever tudo o que tenho entalado na garganta - e nos dedos, logo aqui nesse texto que já está grande. Não vou fazer isso. Só precisava escrever. Perdi o hábito há alguns anos antes de entrar na faculdade. Aos 13 anos comecei meu primeiro livro e passei a adolescência toda escrevendo livretos de fantasia e histórias e isso me ajudava muito como fuga do que me circundava.
Mas depois da faculdade fiquei mais dedicado às outras atividades e parei. Agora retorno. Falando em faculdade, penso em política. Política. Ano de eleições presidenciais e inúmeras bizarrices temos que assistir diariamente. Ouvir o que não se quer e o que não se quer de novo. Porque o que realmente se deseja parece algo de outro mundo. E não é só pelo desejo, é pela humanidade do que se deseja, pela simplicidade de facilitar a vida das pessoas, pelo simples fato de tornar a vida mais fácil. Mas não é isso que os nosso representantes nesse sistema duvidoso querem. Não vou falar mal de fulano ou beltrano nem de partidos. Não gosto de nenhum. Prefiro reclamar das ideias postas e jogadas nas nossas caras - no plural, todos os dias.
O que faz alguém pensar que deve governar para um grupo seleto de pessoas? O que faz esse mesmo sujeito - sim, é homem, pensar que deve moldar a forma de vida de 202 milhões de pessoas, quiçá os 7 bilhões do mundo, com um livro antigo duvidoso e tendencioso? (Finalmente consegui usar o "quiçá").
Sério. Pra mim é inconcebível alguém ser tão... tão... tosco. Não tenho nem palavra. Tosco. Resume o que penso. Como uma pessoa, ou um grupo de pessoas conseguem ser tão toscos assim? Eles estão com todo o direito de se apegar a algo antes de morrer, e acreditar que vão viver pra sempre - que chato. Mas não me venham impor isso. Deixe a hipocrisia pra lá, seja do bem. É tão difícil pra essas pessoas serem ''do bem''. Tão difícil que duvido que qualquer um deles vá lá pra cima das nuvens como querem. Casos e casos, não generalizo. Mas sou obrigado.
Não quero religiosos fanáticos me governando, eles não representam o que eu passo todos os dias. Não representam meus pensamentos quando acordo e tenho que aceitar mais um dia que não cou aceito. Que vou ter que ouvir coisas ruins sobre minha forma de ser. Sobre meus gostos. Não me representam e nunca vão me representar - seja no céu ou no inferno. Eles não sabem o que é crescer sendo sempre alguém que você não é. Claro, pra esse povo, ou a grande maioria foi muito fácil crescer na tradicional família polarizada, trazer a namorada pra casa, poder andar de mãos dadas com ela sem ninguém nem olhar de cara feia, poder expor aos 4 ventos o quanto a ama sem ter que prestar contas à ninguém. Deve ser mais fácil mesmo. Pra quem não enfrenta o que eu - ou pior, muitas outras enfrentam de forma mais dura, o peso de apenas gostar de pênis não sendo mulher. Até as mulheres, mesmo sendo mulheres, gostando de pênis (ou não) também são esmagadas por esse grupo de pessoas toscas. Deve ser fácil não ter que ir dormir pensando quando simplesmente seu direito de ser humano e poder casar com quem quiser vai ser realmente um direito seu. Deve ser mais fácil acordar e não precisar se mascarar metaforicamente todos os dias em frente ao espelho para ter uma imagem que não condiz com o que você é por dentro. Deve ser mais fácil a vida de quem não precisa ouvir que por causa de sexualidade é inferior.Como ouvi da minha mãe ontem. De que é incapaz de realizar todas as atividade de quem gosta de buceta com o mesmo mérito. Deve ser esse o grande lance. Buceta. Essa coisa feia - desculpe-me quem gosta, deve ser a grande deusa que rege todo o Universo e o livra de todo o mal e única fonte de inspiração para os pais, maridos e homens que devem governar o Universo porque gostam disso.
Não entendo nada disso do que escrevi como vitimismo. Eu posso simplesmente me vesti do que quiser e sair na rua. Uns podem pensar assim. Que eu posso arranjar um namorado e sair com ele de mãos dadas. Claro. Posso. É tudo tão simples. Não seria?
Não vou reler nada do que escrevi. São meus fluxos de pensamento e vou deixa-los do jeito que vieram. Não estou escrevendo pra ninguém.
É melhor finalizar sem um fim. Mais fácil.

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